Acordei muito cedo nesse sábado, disposto a colocar a Hornet em condições de rodar de volta para casa a qualquer custo. Por via das dúvidas, pedi ajuda ao Javier (que é uruguaio) para me acompanhar à concessionária, só para o caso do meu portunhol criar problema de comunicação com o pessoal da assistência. E além disso, o Alexandre resolveu ir junto para comprar alguns itens que precisava, entre eles um capacete, pois havia derrubado o dele em Jujuy e estava em péssimas condições.
Já na saída do estacionamento do hotel, um novo evento desagradável. Preocupado em não atrasar demais, saí pilotando a Hornet com o motor ainda frio, só que a saída do estacionamento tinha uma rampa enorme e muito inclinada. Nem preciso dizer que no meio da rampa a moto quis morrer, e eu no reflexo pressionei o manete de freio dianteiro (que não tinha devido ao tompo), a moto desceu de ré e não consegui acionar o freio traseiro e não tive como segurar, derrubando a moto para a direita, e como nada é de graça ela caiu certinho com a ponta do manete de freio no chão, quebrando no "ponto de ruptura" providencialmente criado pela Honda. Mais um prejuízo a se somar aos demais.
Não bastasse isso, o Alexandre, que estava logo atrás se preocupou em evitar que eu batesse na moto dele e acabou deitando a V-Strom, felizmente sem consequências. Confesso que nesse momento fiquei profundamente irritado, com aquela terrível sensação de que as coisas não param de dar errado, e só tendem a piorar sucessivamente.
Com a ajuda do GPS, apesar de um mapa meia boca da Bolívia, conseguimos chegar a uns 4 Km da Concessionária NoSiglia, a única da Honda em La Paz. A partir daí, o jeito foi o Javier ir pedindo informações, até que finalmente conseguimos chegar à concessionária, cujo endereço é:
NoSiglia Sport Ltda.
Av. Costanera No. 29 (Calacoto) - Zona sur - La Paz – Bolivia
Tel: (591-2)2794904 - Fax: (591-2)2771395
e-mail: nossport@ceibo.entelnet.bo
Com toda a dificuldade em localizar a concessionária, levamos sorte em chegar bem no horário de abertura da loja. Conversando com o mecânico, discutimos as opções para colocar o freio dianteiro em operação, sendo que me parecia a opção mais razoável isolar o disco direito, deixando-o em operação, e retirar o disco esquerdo, que só poderia substituir no Brasil, já que não existem peças para Hornet na Bolívia. Infelizmente o mecânico informou que não teria como fazê-lo, pois não teria como garantir a segurança do procedimento.
Então descobri algo que me deu a ideia de um post específico, que se fizesse eu titularia como "Por que uma concessionária Honda na Bolívia é melhor que qualquer concessionária Honda do Brasil". Explico: no Brasil as concessionárias trabalham exclusivamente no conceito de substituição de peças, certamente por ser mais simples e lucrativo. Não se conserta coisa nenhuma, apenas troca as peças com qualquer problema, e se não tiver a peça se diz algo como "sentimos muito senhor, mas não temos a peça. O único jeito é pedir à Honda, e levará 7, 10 ou 15 dias para chegar". Convenhamos que isso é bem mais conveniente e eficaz para a Honda e suas concessionárias do que para o consumidor dos seus produtos. Já pensou eu ter que ficar duas semanas em La Paz esperando peças? Impraticável.
Aí a grande vantagem de uma concessionária mais modesta que as brasileiras, mas dotada de pessoas dispostas a fazer o necessário para resolver o problema do cliente. Como não tinham peças, o mecânico me apresentou a solução que considerava viável: tirariam o disco de freio, mandariam a um torneiro que o prensaria, de forma a desentortá-lo e recolocá-lo no lugar, para que o tivesse em condições de operação pelo menos para poder fazer os cerca de 6.000 Km que me faltavam até chegar em casa. Garantiram que funcionaria e que não haveria qualquer risco à segurança, e felizmente resolvi confiar neles (o que se mostrou uma opção totalmente acertada no resto da viagem).
Na tornearia precisaram desmontar completamente o disco, inclusive a parte central (dourada) para que o disco fosse alinhado. Fizeram o procedimento, remontaram o disco, e às 14h00 eu estava deixando a concessionária com o freio dianteiro funcionando perfeitamente. Em que concessionária Honda do Brasil eu conseguiria esse tipo de solução? Facílimo responder: em nenhuma! Agradeço à NoSiglia pelo excepcional serviço prestado, pois sem dúvida fizeram um cliente profundamente satisfeito. E vejam que isso bem mais que posso dizer sobre algumas concessionárias Honda de Porto Alegre, às quais abandonei nos últimos meses devido à sua absoluta incompetência (e mesmo má fé de alguns funcionários preocupados excessivamente em lucrar às custas do cliente, mesmo correndo o risco de perdê-lo).
E melhor que isso, lavaram a moto, trocaram o óleo (4 litros), limparam o filtro de ar, ajustaram a corrente, desentortarm o suporte do pedal de câmbio e ainda comprei uma lata de óleo lubrificante para a corrente. Preço total para tudo isso: 100 dólares! Parece piada, mas é toda a verdade. Por essas e outras vemos que vivemos num país de fantasia, onde muitas coisas são mais bonitas, mas por isso mesmo absurdamente caras e funcionando muito pior do que seria sensato esperar.
A nota negativa é que ao deixar a concessionária coloquei o manual original da moto no bolso externo da jaqueta, mas ele não ficou bem fechado e o perdi. Felizmente tenho um PDF, portanto não fiquei totalmente sem manual, mas ainda assim foi uma perda lamentável.
Nessa manhã, enquanto estávamos consertando a moto, o restante do grupo fez um city tour por La Paz, no qual puderam conhecer um pouco mais a cidade, e constatar que a parte central da cidade era muito melhor e mais interessante do que a miserável parte alta onde estávamos localizados. Realmente no local onde ficava a concessionária era fácil perceber que estávamos numa zona nobre, bem diferente do terrível ar de favela da cidade alta. Contraste típico de países com péssima distribuição de renda, coisa que nós brasileiros conhecemos bem.
Na volta ao hotel tive uma demonstração cabal do caótico trânsito de La Paz, uma coisa só comparável aqueles vídeos que vemos no YouTube de cidades da Índia ou do Paquistão. Uma profusão de carros velhos, níveis enormes de poluição do ar, buzinas tocando o tempo todo num caos total, as pessoas furando o sinal, jogando os carros uns sobre os outros. Ano passado, em Salta/Argentina havíamos achado o trânsito bastante perigoso, mas olhando o de La Paz é outro nível, bem próximo do absurdo.
Em meio a esse trânsito, à noite pegamos outro táxi para nos levar ao maior shopping da cidade, e a coisa foi traumática. O taxista era muito bem disposto, exceto por um pequeno problema que parece comum a todos os taxistas: eles não conhecem a cidade em que vivem. Ele saiu andando, andando e andando, até que finalmente percebemos que ele não tinha a menor ideia de onde nos levar.
Então saiu perguntando em um lugar ou outro sem sucesso, até que finalmente chegamos ao cúmulo: na hora do rush, em torno das 18h00, parou no meio de uma enorme rotatória, ligou o pisca alerta, nos deixou dentro do táxi e foi perguntar sobre o shopping numa farmácia. Aí perdemos a paciência e o abandonamos, sendo que o Javier lhe pagou 30 pesos pela corrida, mais por pena ou como compensação pelo esforço, pois realmente a situação era de fazer chorar de tão absurda.
Então saímos andando pela região perguntando aqui e alí, e um policial nos mandava para um lado, um transeunte para outro. Até que abordamos dois rapazes numa praça e esses realmente conheciam o shopping, e com as informações que nos deram pegamos outro táxi, e esse conseguiu nos levar ao destino. O shopping era um luxo para os padrões de La Paz, mas pequeno se comparado aos melhores brasileiros. Pelo menos pudemos fazer pequenas compras e ter um jantal de muito boa qualidade.
Na volta, após as 22h00, outro drama. Pegamos um táxi e pedimos ao taxista que nos levasse à cidade alta, ele saiu andando e depois de muito andar percebemos que não sabia para onde ir, e além de tudo parecia meio surdo ou drogado, pois só balançava a cabeça e não dava muita bola para o que falávamos. Explicamos o caminho e o colocamos no rumo, e então a maior surpresa: quando chegou na base do morro que o levaria à cidade alta ele parou e disse que não tinha como nos levar ao hotel, exceto se pagássemos 150 pesos, pois era noite, lá em cima era outra cidade etc.
Confesso que minha vontade era arrastá-lo para fora do carro e lhe dar uma surra, e não é brincadeira, mas no fim o Alexandre (que carregava muitos dólares no bolso) acabou negociando para pagar 130 pesos e acabamos chegando ao hotel. Portanto, tomar táxi em La Paz é uma situação surreal, e a propósito, lá não conhecem GPS o que contribui demais para piorar as coisas.
No hotel caímos na cama cedo, pois finalmente na manhã seguinte seguiríamos para Puno, já no Peru, e estávamos um dia atrasados em função do "Paro Cívico" do dia anterior e consequente atraso no conserto da moto.
Tags
Acessórios
Além do limite
Argentina
Atacama
BMW
Bolívia
Brasil
Chile
Competição
Esporte
Garmin
GPS
Honda
Interoceânica
Kawasaki
KTM
Machu Picchu
Mecânica
Mercado
Mercosul
Motocadas
Motocross
Motos que amamos
Motovelocidade
Perfil Piloto
Peru
Preparativos
Riffel
RS
Salão Duas Rodas
Santa Catarina
Segurança
Seguro
Suzuki
Touratech
Tourist Trophy
Trial
Viagem
Yamaha
Mostrando postagens com marcador Bolívia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bolívia. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 20 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Machu Picchu - Dia 6 - Rumo a La Paz, um lugar inacreditável
Passar a noite em Tambo Quemado foi um desafio, pois com seus 4.600 metros de altitude, ôh lugarzinho bem frio. Nosso alojamento era uma coisa beirando o precário, com camas "em concha". No meu caso isso foi um sério problema, pois com dores na perna esquerda em função do tombo, dormir numa cama que afunda acentuadamente na parte central é péssima ideia. A ponto de ter que acordar no meio da noite para tomar remédio para as dores, além de um AAS para combater a dor de cabeça provocada pela altitude.
Felizmente, Renan e Luís, que à noite sofreram com a altitude, pela manhã já estavam melhores e pudemos seguir viagem, saíndo bem mais tarde que o normal. Isso depois de retirarmos as motos "do estacionamento", pois como o alojamento prometeu mas não tinha estacionamento, acabamos pagando uma senhora que mantém um pequeno mercadinho/lanchonete num dos prédios para que pudéssemos deixar as motos dentro da lanchonete durante a noite, o que funcionou perfeitamente.
Quem mais se divertia com toda essa atvidade parecia ser a netinha dela, menina de uns seis anos que estava fascinada com aquele bando de motos e motoqueiros, e que virou grande amiga do Luís, a ponto de deixar que ele a fotografasse sobre uma das motos (bolivianos e peruanos não têm a menor simpatia por serem fotografados, razão pela qual quase sempre solicitávamos permissão prévia). É incrível o fascínio que as motos têm sobre as crianças em todos os lugares, e não só sobre elas.
Percorrer os cerca de 300 Km até La Paz com a Hornet toda torta, a velocidades em torno de 80 a 90 Km/h foi algo bem mais fácil que no dia anterior, pois agora as estradas eram boas e bastante retas, ou com descidas e subidas bem suaves. Desagradável era o forte ruído de atrito provocado pelo disco empenado raspando continuamente no suporte das pastilhas, o que exigiu algumas paradas para afastá-las de forma a incomodar menos. E ainda por cima, era muito frio!
A paisagem boliviana se mostra bem diferenciada das áreas desérticas do Chile e Argentina, pois além das belas montanhas, é dotada de um fator crucial: água. São vistos rios em torno da ótima estrada, e com eles a vegetação se torna bem mais ampla, e há muita atividade pecuária em torno da estrada. São muitas cercas, e dentro delas existem lhamas, vacas e ovelhas. E muitas casinhas de pedra próximas às estradas. No que se refere à paisagem, pode-se dizer que a Bolívia é bela, mas ao se olhar a população não se pode dizer o mesmo, e a razão para essa observação é sua excepcional pobreza.
Na chega a La Paz, mais uma vez as coisas não deram tão certo quanto o esperado. Além do trânsito, que já se mostrava infernal (como o Alex Brito tinha nos alertado), o uso do GPS me fez entrar por umas ruazinhas laterais que pareciam uma feira livre, uma enorme confusão. E então veio algo ainda pior, pois como tudo estava trancado, pedimos informações aos policiais, e aí a grande surpresa: chegamos numa sexta-feira, depois do meio-dia, e a parte baixa da cidade estava fechada em função de um "Paro Cívico". Risível isso!
Como é possível um país que tem a capital encravada num buraco em meio a montanhas, com poucos acesso à parte central? E ainda pior que isso, a população fecha todos esses acessos da cidade por um motivo qualquer, seja cívico ou não? Acredite, na Bolívia isso parece ser uma coisa bastante normal, basta ver os relatos de outros viajantes disponíveis na internet.
E o mais grave: pelas informações que tínhamos, o tal "Paro Cívico" manteria a parte baixa de La Paz fechada até as 18h00, e a única concessionária Honda da cidade ficava justamente por lá, portanto inacessível em horário comercial. Uma perfeita expressão de Lei de Murphy (se algo pode dar errado, vai dar errado)!
Resultado: tivemos que nos hospedar no Hotel Alexander, segundo as informações, o melhor da parte alta da cidade, o que em nada o torna um bom hotel. E essa parte alta da cidade se parece com uma enorme favela.
Em torno do hotel, ruas sujas, fétidas e escorregadias, e tudo de péssima qualidade, inclusive o restaurante associado ao hotel, que era abaixo da crítica (e ainda assim melhor que as alternativas da redondeza), mostrando até mesmo mesas, cadeiras e toalhas visivelmente sujas, e capaz de levar quase uma hora para entregar meia dúzia de sanduíches.
Realmente, visitar a Bolívia exige certa flexibilização de conceitos no que se refere a aspectos básicos de saúde e higiene, ou então passar dias tomando só água mineral e comendo produtos industrializados, o que é uma excelente ideia em nome de manter sua saúde intacta.
No fim acabamos almoçando e usando a tarde para descansar, e alguns se arriscaram a dar algumas voltas na parte alta da cidade, mas é um lugar que dá pena em razão da pobreza, sujeira e um cheiro nas ruas pior que o de muitos banheiros de rodoviária brasileiros. E as cenas nas ruas são assustadoras, por exemplo, uma mulher em trajes típicos numa tenda vendendo pão, pegando o produto com as mãos e entregando aos clientes, pegando o dinheiro com a mesma mão, enfim, condições zero de higiene, só para ilustrar as observações.
À noite, descobrimos uma nova mazela da cidade: os motorista de táxi! Locamos um táxi para nos levar ao maior shopping da cidade, na parte baixa que já estava aberta, e ele nos levou ao lugar errado, e que ainda por cima estava fechado em função do tal "Paro Cívico", o que nos irritou a ponto de voltarmos ao hotel para jantar e encerrar o dia em que nada dava muito certo. Dia para esquecer!
Felizmente, Renan e Luís, que à noite sofreram com a altitude, pela manhã já estavam melhores e pudemos seguir viagem, saíndo bem mais tarde que o normal. Isso depois de retirarmos as motos "do estacionamento", pois como o alojamento prometeu mas não tinha estacionamento, acabamos pagando uma senhora que mantém um pequeno mercadinho/lanchonete num dos prédios para que pudéssemos deixar as motos dentro da lanchonete durante a noite, o que funcionou perfeitamente.
Quem mais se divertia com toda essa atvidade parecia ser a netinha dela, menina de uns seis anos que estava fascinada com aquele bando de motos e motoqueiros, e que virou grande amiga do Luís, a ponto de deixar que ele a fotografasse sobre uma das motos (bolivianos e peruanos não têm a menor simpatia por serem fotografados, razão pela qual quase sempre solicitávamos permissão prévia). É incrível o fascínio que as motos têm sobre as crianças em todos os lugares, e não só sobre elas.
Percorrer os cerca de 300 Km até La Paz com a Hornet toda torta, a velocidades em torno de 80 a 90 Km/h foi algo bem mais fácil que no dia anterior, pois agora as estradas eram boas e bastante retas, ou com descidas e subidas bem suaves. Desagradável era o forte ruído de atrito provocado pelo disco empenado raspando continuamente no suporte das pastilhas, o que exigiu algumas paradas para afastá-las de forma a incomodar menos. E ainda por cima, era muito frio!
A paisagem boliviana se mostra bem diferenciada das áreas desérticas do Chile e Argentina, pois além das belas montanhas, é dotada de um fator crucial: água. São vistos rios em torno da ótima estrada, e com eles a vegetação se torna bem mais ampla, e há muita atividade pecuária em torno da estrada. São muitas cercas, e dentro delas existem lhamas, vacas e ovelhas. E muitas casinhas de pedra próximas às estradas. No que se refere à paisagem, pode-se dizer que a Bolívia é bela, mas ao se olhar a população não se pode dizer o mesmo, e a razão para essa observação é sua excepcional pobreza.
Na chega a La Paz, mais uma vez as coisas não deram tão certo quanto o esperado. Além do trânsito, que já se mostrava infernal (como o Alex Brito tinha nos alertado), o uso do GPS me fez entrar por umas ruazinhas laterais que pareciam uma feira livre, uma enorme confusão. E então veio algo ainda pior, pois como tudo estava trancado, pedimos informações aos policiais, e aí a grande surpresa: chegamos numa sexta-feira, depois do meio-dia, e a parte baixa da cidade estava fechada em função de um "Paro Cívico". Risível isso!
Como é possível um país que tem a capital encravada num buraco em meio a montanhas, com poucos acesso à parte central? E ainda pior que isso, a população fecha todos esses acessos da cidade por um motivo qualquer, seja cívico ou não? Acredite, na Bolívia isso parece ser uma coisa bastante normal, basta ver os relatos de outros viajantes disponíveis na internet.
E o mais grave: pelas informações que tínhamos, o tal "Paro Cívico" manteria a parte baixa de La Paz fechada até as 18h00, e a única concessionária Honda da cidade ficava justamente por lá, portanto inacessível em horário comercial. Uma perfeita expressão de Lei de Murphy (se algo pode dar errado, vai dar errado)!
Resultado: tivemos que nos hospedar no Hotel Alexander, segundo as informações, o melhor da parte alta da cidade, o que em nada o torna um bom hotel. E essa parte alta da cidade se parece com uma enorme favela.
Em torno do hotel, ruas sujas, fétidas e escorregadias, e tudo de péssima qualidade, inclusive o restaurante associado ao hotel, que era abaixo da crítica (e ainda assim melhor que as alternativas da redondeza), mostrando até mesmo mesas, cadeiras e toalhas visivelmente sujas, e capaz de levar quase uma hora para entregar meia dúzia de sanduíches.
Realmente, visitar a Bolívia exige certa flexibilização de conceitos no que se refere a aspectos básicos de saúde e higiene, ou então passar dias tomando só água mineral e comendo produtos industrializados, o que é uma excelente ideia em nome de manter sua saúde intacta.
No fim acabamos almoçando e usando a tarde para descansar, e alguns se arriscaram a dar algumas voltas na parte alta da cidade, mas é um lugar que dá pena em razão da pobreza, sujeira e um cheiro nas ruas pior que o de muitos banheiros de rodoviária brasileiros. E as cenas nas ruas são assustadoras, por exemplo, uma mulher em trajes típicos numa tenda vendendo pão, pegando o produto com as mãos e entregando aos clientes, pegando o dinheiro com a mesma mão, enfim, condições zero de higiene, só para ilustrar as observações.
À noite, descobrimos uma nova mazela da cidade: os motorista de táxi! Locamos um táxi para nos levar ao maior shopping da cidade, na parte baixa que já estava aberta, e ele nos levou ao lugar errado, e que ainda por cima estava fechado em função do tal "Paro Cívico", o que nos irritou a ponto de voltarmos ao hotel para jantar e encerrar o dia em que nada dava muito certo. Dia para esquecer!
domingo, 18 de setembro de 2011
Machu Picchu - Dia 5 - Um dia muito, muito difícil
Saímos de Arica pela manhã, em direção a La Paz. A caminho de Putre, vimos uma estrada soberba, definida pelo companheiro Alex Brito como a estrada mais linda que ele já havia visto em toda a vida, e mesmo sendo essa uma experiência pessoal, a estrada é realmente de cair o queixo.
Montanhas fantásticas, uma estrada sinuosa que em momentos se sobrepõe às montanhas envoltas em nuvens, e nós lá, vendo tudo isso de cima. Um verdadeiro espetáculo, que vocês poderão degustar em foto e vídeo.
Entretanto, beleza não é tudo, e a vida é feita também de dificuldades, e nesse dia tivemos muitas. Em meio a uma estrada muito boa, encontramos dois inesperados trechos em obras, de terra da pior qualidade, de 15 e 35 Km respectivamente, e eles não foram percorridos sem consquências. Infelizmente numa passagem sobre o cascalho, perdi o equilíbrio e a moto apontou para a valeta, corrigi o gridão e acelerei de leve para retomar o controle, mas sobre cascalho uma moto de 102 cavalos tem reações um tanto bruscas, a roda traseira deslizou e o resultado: chão em grande estilo, ainda que apenas a 35 Km/h.
O tombo em si não foi grave, sendo as sequelas físicas irrelevantes (dor na perna e nas costas, sem qualquer gravidade). Já as consequências materiais foram bem mais sérias: uma pedra entortou o disco dianteiro esquerdo, e a mesma pedra ou outra furou o canto do radiador, a bolha quebrou, o slider esquerdo foi destruído, a extensão do pedal de embreagem dobrou, várias partes da lateral rasparam o chão (ponta da bengala, tampa do motor, ponta da balança).
Como precisaríamos seguir viagem de qualquer forma, a solução encontrada pelo Ruy (sempre ele, com toda sua experiência) foi afastarmos as pastilhas do disco torto, e seguir viagem com a moto sem usar o freio dianteiro. Isso seria menos difícil em estradas retas, mas cruzando a cordilheira foi bem desafiador. Valeu a experiência com a Hornet, e felizmente consegui pilotar a moto por cerca de 100 Km em bom ritmo usando apenas freio motor e o freio traseiro, até chegarmos à fronteira do Chile com a Bolívia, em Tambo Quemado. Como veria depois, esse esforço teria um preço não só nas pastilhas de freio traseiras, mas principalmente na durabilidade da corrente, que já não estava nova, e teve seu processo de fim de vida muito acelerado.
Antes da fronteira boliviana, muito frio e altitude, e algumas das vistas mais sensacionais que tivemos de presenciar. Notadamente, um conjunto de lagos azuis à beira da estrada, a mais de 5.000 metros de altitude, pontuados por montanhas geladas de beleza impressionante. E tudo isso num dia claro, com um céu tão azul que parecia não ser de verdade. Essa estrada também deve ser conhecida por todo viajante, pois foi uma das partes mais lindas da viagem até agora, mas honestamente, ao fazer de novo eu iria até a aduana chilena e voltaria sem entrar na Bolívia, e na sequência do relato será possível entender a razão.
Infelizmente nem tudo são flores, e na chegada à fronteira conhecemos a famosa burocracia boliviana: horas perdidas em meio a formulários, fotocópias, reconhecimento de firma, vai para lá, volta aqui, e até mesmo a cobrança de um "pedágio" por um agente fardado, o que nos atrasou muito, sendo que já estávamos atrasados pelo tombo, que me obrigava a andar devagar.
Afora isso, tivemos problema na aduana chilena, pois o companheiro Balão foi surpreendido com a notícia de que ao entrar no Chile o funcionário da aduana fizera todos os procedimentos, mas esquecera de carimbar seu passaporte e documento de entrada no país, situação resolvida com alguma conversa e tempo perdido junto aos oficiais chilenos.
Em meio a isso tudo, a altitude fez suas vítimas, deixando primeiro o Renan e depois o Luís bastante prejudicados, e alguns dos demais com bastante desconforto. Com isso, já caindo a noite, nos restou pernoitar em Tambo Quemado, um povoado que fica junto à aduana boliviana, uma cidade de uma pobreza impressionante. Tudo que conseguimos foi um alojamente, com duas ou três pessoas por quarto, e banheiro comum no fim do corredor. Noite muito fria, difícil, mas muito melhor que uma terrível experiência de encarar o frio da noite no deserto. Serviu ao propósito, mas não foi muito confortável, especialmente pelas camas "em concha", que afundavam ao deitarmos sobre elas, o que no meu caso foi bastante doloroso em função do tombo.
De positivo, além das paisagens inesquecíveis, o fato de que meu tombo não teve maior gravidade, a moto continuou rodando apesar de estropiada, e conseguimos um local seguro para passar a noite, o que nas condições em que nos encontrávamos era um alto lucro.
Montanhas fantásticas, uma estrada sinuosa que em momentos se sobrepõe às montanhas envoltas em nuvens, e nós lá, vendo tudo isso de cima. Um verdadeiro espetáculo, que vocês poderão degustar em foto e vídeo.
Entretanto, beleza não é tudo, e a vida é feita também de dificuldades, e nesse dia tivemos muitas. Em meio a uma estrada muito boa, encontramos dois inesperados trechos em obras, de terra da pior qualidade, de 15 e 35 Km respectivamente, e eles não foram percorridos sem consquências. Infelizmente numa passagem sobre o cascalho, perdi o equilíbrio e a moto apontou para a valeta, corrigi o gridão e acelerei de leve para retomar o controle, mas sobre cascalho uma moto de 102 cavalos tem reações um tanto bruscas, a roda traseira deslizou e o resultado: chão em grande estilo, ainda que apenas a 35 Km/h.
O tombo em si não foi grave, sendo as sequelas físicas irrelevantes (dor na perna e nas costas, sem qualquer gravidade). Já as consequências materiais foram bem mais sérias: uma pedra entortou o disco dianteiro esquerdo, e a mesma pedra ou outra furou o canto do radiador, a bolha quebrou, o slider esquerdo foi destruído, a extensão do pedal de embreagem dobrou, várias partes da lateral rasparam o chão (ponta da bengala, tampa do motor, ponta da balança).
Como precisaríamos seguir viagem de qualquer forma, a solução encontrada pelo Ruy (sempre ele, com toda sua experiência) foi afastarmos as pastilhas do disco torto, e seguir viagem com a moto sem usar o freio dianteiro. Isso seria menos difícil em estradas retas, mas cruzando a cordilheira foi bem desafiador. Valeu a experiência com a Hornet, e felizmente consegui pilotar a moto por cerca de 100 Km em bom ritmo usando apenas freio motor e o freio traseiro, até chegarmos à fronteira do Chile com a Bolívia, em Tambo Quemado. Como veria depois, esse esforço teria um preço não só nas pastilhas de freio traseiras, mas principalmente na durabilidade da corrente, que já não estava nova, e teve seu processo de fim de vida muito acelerado.
Antes da fronteira boliviana, muito frio e altitude, e algumas das vistas mais sensacionais que tivemos de presenciar. Notadamente, um conjunto de lagos azuis à beira da estrada, a mais de 5.000 metros de altitude, pontuados por montanhas geladas de beleza impressionante. E tudo isso num dia claro, com um céu tão azul que parecia não ser de verdade. Essa estrada também deve ser conhecida por todo viajante, pois foi uma das partes mais lindas da viagem até agora, mas honestamente, ao fazer de novo eu iria até a aduana chilena e voltaria sem entrar na Bolívia, e na sequência do relato será possível entender a razão.
Infelizmente nem tudo são flores, e na chegada à fronteira conhecemos a famosa burocracia boliviana: horas perdidas em meio a formulários, fotocópias, reconhecimento de firma, vai para lá, volta aqui, e até mesmo a cobrança de um "pedágio" por um agente fardado, o que nos atrasou muito, sendo que já estávamos atrasados pelo tombo, que me obrigava a andar devagar.
Afora isso, tivemos problema na aduana chilena, pois o companheiro Balão foi surpreendido com a notícia de que ao entrar no Chile o funcionário da aduana fizera todos os procedimentos, mas esquecera de carimbar seu passaporte e documento de entrada no país, situação resolvida com alguma conversa e tempo perdido junto aos oficiais chilenos.
Em meio a isso tudo, a altitude fez suas vítimas, deixando primeiro o Renan e depois o Luís bastante prejudicados, e alguns dos demais com bastante desconforto. Com isso, já caindo a noite, nos restou pernoitar em Tambo Quemado, um povoado que fica junto à aduana boliviana, uma cidade de uma pobreza impressionante. Tudo que conseguimos foi um alojamente, com duas ou três pessoas por quarto, e banheiro comum no fim do corredor. Noite muito fria, difícil, mas muito melhor que uma terrível experiência de encarar o frio da noite no deserto. Serviu ao propósito, mas não foi muito confortável, especialmente pelas camas "em concha", que afundavam ao deitarmos sobre elas, o que no meu caso foi bastante doloroso em função do tombo.
De positivo, além das paisagens inesquecíveis, o fato de que meu tombo não teve maior gravidade, a moto continuou rodando apesar de estropiada, e conseguimos um local seguro para passar a noite, o que nas condições em que nos encontrávamos era um alto lucro.
![]() |
| O amanhecer em Arica, olhando o Pacífico pela janela do hotel (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| O destino é Putre, em direção à Bolivia (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| Vendo as nuvens de cima, e Roberto como um pontinho preto na paisagem (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| Formações inacreditáveis (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| Esse foi o conjunto de lagos mais bonito que vimos em toda a viagem (foto: Volmir Ferreira) |
![]() |
| Montanhas geladas e lagos de um azul cristalino (foto: Luís Lacerda) |
| Volmir e Luís em frente a lagos e montanhas geladas na fronteira Chile/Bólívia (foto: Roberto Saggin) |
![]() |
| À beira da estrada, muitas fotos (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| Algumas vezes a estrada parece seguir para o infinito (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| São tantas curvas que a estrada se torna surreal (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| A cada beleza que passa você se vê frente a outra, entre tantas cores e formas (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| Deveria ser asfalto, mas a realidade nem sempre é o que se espera (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| É tudo tão diferente e bonito que chega a não parecer realidade (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| O ser humano se torna minúsculo frente à imensidão da natureza (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| Detalhe do azul dos lagos quase na fronteira entre Chile e Bolívia (foto: Luís Lacerda) |
![]() |
| Entardecer frente à hospedagem em Tambo Quemado, já na Bolívia (foto: Luís Lacerda) |
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Machu Picchu - Integrantes
Na foto abaixo todos os integrantes da viagem ao Atacama de 2010, da esquerda para a direita: Luís Lacerda, Alexandre Albrecht, Roberto Saggin, Renan Dalbem, Javier Palleiro, Ruy Dalbem, Volmir Ferreira e Alexandre Daniotti.
Desses, os seguintes estão confirmados na viagem a Machu Picchu, com as respectivas motos:
Luís Lacerda - Suzuki Bandit 650 (2011)
Roberto Saggin - Yamaha TDM 900 (2008)
Renan Dalbem - BMW G650GS (2010)
Javier Palleiro - BMW G650GS (2010)
Ruy Dalbem - BMW R1200GS (2008)
Volmir Ferreira - Honda Hornet 600 (2009)
A essas se somam três novos integrantes, que não foram na viagem ao atacama, da esquerda para a direita da foto abaixo:
Alexandre Dalbem - Suzuki V-Strom 650 (2011)
Beto Balão - Suzuki V-Strom 650 (2011)
Henrique Olmos - BMW K1300R (2011)

Por enquanto Alexandre Daniotti não confirmou se participará dessa viagem, e Alexandre Albrecht está dando um tempo no mundo de duas rodas.
Desses, os seguintes estão confirmados na viagem a Machu Picchu, com as respectivas motos:
Luís Lacerda - Suzuki Bandit 650 (2011)
Roberto Saggin - Yamaha TDM 900 (2008)
Renan Dalbem - BMW G650GS (2010)
Javier Palleiro - BMW G650GS (2010)
Ruy Dalbem - BMW R1200GS (2008)
Volmir Ferreira - Honda Hornet 600 (2009)
A essas se somam três novos integrantes, que não foram na viagem ao atacama, da esquerda para a direita da foto abaixo:
Alexandre Dalbem - Suzuki V-Strom 650 (2011)
Beto Balão - Suzuki V-Strom 650 (2011)
Henrique Olmos - BMW K1300R (2011)

Por enquanto Alexandre Daniotti não confirmou se participará dessa viagem, e Alexandre Albrecht está dando um tempo no mundo de duas rodas.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Machu Picchu - Trajeto completo
Na planilha abaixo podem ser vistos os locais de pernoite e a Km diária e total a ser percorrida.
Como se pode observar, é uma Km bastante alta para ser cumprida em apenas 18 dias de viagem, razão pela qual possivelmente usemos os dias 29 e 30/09/11 caso necessário, fazendo os ajustes no decorrer da viagem. Preferimos deixar esses dias como reserva técnica, podendo vir a ser usados para passeios, descanso ou eventuais reparos nas motos. Mesmo porque entre as motos temos Honda Hornet, Suzuki Bandit, Suzuki V-Strom, as quais precisarão de ao menos uma troca de óleo no decorrer da viagem, o que provavelmente será feito em Rio Branco ou Porto Velho.
Como se pode observar, é uma Km bastante alta para ser cumprida em apenas 18 dias de viagem, razão pela qual possivelmente usemos os dias 29 e 30/09/11 caso necessário, fazendo os ajustes no decorrer da viagem. Preferimos deixar esses dias como reserva técnica, podendo vir a ser usados para passeios, descanso ou eventuais reparos nas motos. Mesmo porque entre as motos temos Honda Hornet, Suzuki Bandit, Suzuki V-Strom, as quais precisarão de ao menos uma troca de óleo no decorrer da viagem, o que provavelmente será feito em Rio Branco ou Porto Velho.
Como não foi possível publicar o trajeto montado no GoogleMaps, visto ele ter problemas de continuidade nas fronteiras do Chile (com Argentina e Bolívia), optamos por uma imagem com o roteiro completo. Clique na imagem se quiser ver no tamanho original, podendo usar o zoom na nova tela, facilitando a leitura e localização.
Pode-se consultar o trajeto diretamente no GoogleMaps, nos links a seguir, que contém os três mapas parciais da viagem. É possível pressionar Ctrl + clique no link, abrindo em outra página:
sábado, 16 de julho de 2011
Machu Picchu - Origem do projeto
Durante a viagem ao Atacama em set/2010, surgiram as primeiras discussões sobre qual viagem faríamos em 2011, em princípio com os mesmos integrandes daquele grupo, que serão listados posteriormente.
Machu Picchu surgiu como uma opção natural, já que nos levava bem mais longe que a viagem de 2010 (de 7.000 Km pelo norte da Argentina e Chile), tratava-se de um local altamente significativo no contexto histórico e cultural da América Latina, além de ser uma oportunidade de agregar dois novos países aos já visitados: Peru e Bolívia.
Afora isso, em função dos compromissos pessoais e profissionais dos integrantes do grupo somente existe disponibilidade para fazer uma grande viagem por ano, e para esta prevemos dedicar 18 a 21 dias.
O roteiro previsto é de aproximadamente 10.000 Km, através da Argentina, Chile, Bolívia e Peru. E o retorno iniciará pela rodovia Interoceânica, entrando no Brasil pelo Acre e voltando por Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Na foto minha Honda Hornet 2009, com a qual já rodei 23.000 Km no período de nov/2009 a jul/2011. A moto sofreu diversas adaptações para ser tornar uma Touring, entre as quais: bolha (Acrilsul) para melhor proteção aerodinâmica, banco conforto (Saci Bancos) e bauleto (Givi) de 55 litros permitindo boa capacidade de carga.
Assinar:
Postagens (Atom)


















